Cresce o número de mulheres que dirigem ônibus no Rio

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No município do Rio de Janeiro, cerca de 900 mulheres trabalham como motoristas de ônibus. Atualmente, elas representam 5% do total de condutores profissionais atuando na cidade no transporte coletivo. A empresa Vila Real, que pertence ao Consórcio Internorte, tem o maior time de mulheres ao volante. Segundo a gerente de Recursos Humanos da empresa, Érica Faria, nas sete linhas da empresa, há 25 mulheres atuando como motoristas. A empresa realizou no início de 2013, o programa “Mulher ao volante – Sucesso constante”, para que mulheres sem experiência, ou que estivessem tentando uma recolocação profissional, pudessem se tornar motoristas de ônibus.

O programa de recrutamento de mulheres motoristas já funciona há três anos. No início, a Vila Real ainda aceitava candidatas com carteira B e que quisessem migrar para a categoria D. Esse foi o caso da motorista Mara Sandra de Oliveira, ex-vendedora de roupas. Ela recebeu a dica de uma amiga, fez o treinamento e, há dois anos, enfrenta o desafio diário de transportar vidas. “O primeiro dia foi tranquilo! O treinamento é muito prático, você anda nas linhas e trajetos que a empresa faz. No dia a dia, você aprende muito. Eu nunca tinha imaginado ser motorista de ônibus. Quando surgiu a oportunidade, agarrei com unhas e dentes”, diz a motorista, que faz questão de estar sempre com as mãos feitas.

A procura pela oportunidade profissional é grande e as candidatas passam pelo treinamento junto com os homens. “A gente achou que elas se sentiriam intimidadas, mas isso não aconteceu. A mulher é mais delicada, mais atenciosa. A gente incentiva que essas características femininas sejam usadas no relacionamento com os nossos clientes, que são os passageiros”, explica Érica Faria.

A motorista Mara Sandra de Oliveira conta que nunca se envolveu em acidentes com vítimas. Ela diz que os passageiros costumam fazer brincadeiras quando percebem que uma mulher está no volante. “Um dia um senhor entrou no ônibus e ameaçou descer, dizendo que não ia andar com uma mulher. Tomei um susto! Mas logo ele voltou dizendo que era brincadeira. Antes de descer elogiou o meu trabalho. Os colegas de profissão também ajudam bastante, dão muita força”, afirma a motorista.

A gerente de Recursos Humanos Érica Faria ressalta que diariamente mulheres procuram a empresa para se candidatar a uma vaga. “Não há um tempo específico de duração do treinamento. Teve motorista que ficou seis meses treinando. Ela só vai pra rua quando realmente está apta a dirigir. Primeiro passa pela avaliação, treinamento, monitoramento e só depois ela é registrada. O treinamento dura no mínimo 15 dias. Até quem já vem de outras empresas, com experiência, é obrigado a fazer”, revela.

Assista ao vídeo em que a motorista Paula Gabriela fala sobre seu amor pela profissão!